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O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia..

Essa carta é pra você, só não tem o seu nome.

Isso não é uma carta de amor. Não é uma despedida, não é um pedido. É só mais uma carta, mas é a única que você irá ler antes que descubra o que morre em mim todo dia.

Antes de qualquer coisa, não quero suas respostas, não me interessam. Não quero tua opinião, não quero nem o som da tua voz ao telefone, não gasta os teus minutos me escrevendo algo que já sei. Não se importe com quantas perguntas faço, pois são as que passam em mim cada hora e me tiram um pouco da paz. Se eu te escrevesse a um mês atrás essa carta seria de amor. Ou de um quase-amor descoberto a força, mas hoje não. Meus olhos te cobriram, te avistei de longe, mas não te segui. Quem é você e porque sonho contigo? Eu gostei do teu sorriso, acho que é isso. Por que a fascinação te cobriu com os meus braços? Também não me interessa, mas usamos o mesmo perfume e eu te sinto as vezes. Ontem (acho que foi quarta-feira) fui numa festa, você não estava lá, ou estava. Eu não conseguia destingir você e eu naquele dia, acho que éramos um só naquela pista de dança. Fiquei cega de bebida e aquelas luzes todas, fiquei tonta com tanto balanço, me empurraram, mas o meu inconsciente chamava por aquilo: “Vai lá, esquece ele.” Tropecei antes de cair, chorei antes de beber e bebi pra não cair de chorar. Tô confusa. Estou cheia de incertezas, não quero que você leia isso.

— Hélida Carvalho  - Sua carta.  

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